NOTA DAS ARTICULADAS NO #8M DIA INTERNACIONAL DAS MULHERES

Nós, da coletiva Articuladas – Mulheres no Enfrentamento à Violência Institucional no Estado do Rio de Janeiro, vimos acentuar a relevância das manifestações e atividades relacionadas ao #8M - Dia Internacional da Mulher. Neste ano de 2022, em que há eleições presidenciais e estaduais no país, escolhemos refletir sobre a importância da ação política coletiva feita por mulheres que são “diversas e não dispersas”.   

Há muitos anos os movimentos de mulheres e feministas denunciam  que o sujeito coletivo universal está consolidado no ser, homem, ocidental, do norte, branco, cis, heterossexual, sem deficiências, cristão e proprietário. Nos últimos anos essa pretensa universalidade vem sendo questionada por uma enorme diversidade de atores políticos que afirmam suas diferenças como forma de resistência e redefinição crítica da humanidade para bases menos injustas. No que se refere às contribuições das mulheres nesse processo de pluralização do tecido associativo é preciso lembrar que sempre estiveram na vanguarda de lutas radicalmente transformadoras das bases de reprodução social e de construção de experiências democráticas, apesar das tentativas de silenciamento e desarticulação vindas da necropolítica baseada no racismo patriarcal cisheteronormativo. 

Ao evidenciarem as opressões e injustiças que sustentam as violências institucionais e interpessoais, bem como exercitarem práticas coletivas/comunitárias, fluxos e relações não baseadas nessas mesmas violências, às mulheres possibilitam a aproximação entre sujeitos diversos e criam uma outra cultura política de resistência social. Uma cultura que contesta a individualização da sociedade por meio de práticas comunitárias. Uma cultura que refuta as soluções mediadas pelo mercado e pelas empresas. Uma cultura que busca construir alternativas antissistêmicas a partir dos territórios, que aposta nas redes de apoio mútuo e de solidariedade para transformação da sociedade e de seus sistemas políticos.

As Articuladas são parte dessas forças de mulheres em resistência que estão agindo por  outras formas de fazer política e experienciando a ação política pela diversidade. A afirmação da diversidade como um ativo político importante das lutas sociais contemporâneas entre mulheres nos guia criticamente para a questão da necessária ampliação da prática democrática entre nós todes. Nesse sentido, as Articuladas buscam na afirmação da diversidade uma forma de expor o racismo patriarcal cisheteronormativo, determinante nas institucionalidades do Estado. Entendemos que o enfrentamento dos limites da garantia de direitos nesse sistema passa pela visibilização das violências institucionais que são cotidianamente naturalizadas pela sociedade. Esperamos que no mês das mulheres e no ano de 2022, possamos ampliar nossos caminhos de articulação na defesa da vida das mulheres, de seus direitos, por justiça racial, social e reprodutiva.

Convocamos a todes a se somarem em nosso levantamento de ações para o enfrentamento às violências institucionais durante o mês das mulheres através do link:  https://forms.gle/km76YJTLUwBWDCV9A . Divulgaremos suas ações nas nossas redes com intuito de somar forças e aproximar mulheres em resistência,

Seguimos em luta! Diversas e não dispersas!

Articuladas – Mulheres no Enfrentamento à Violência Institucional no Estado do Rio de Janeiro


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